Na preparação para a 10ª Romaria e os 40 anos do martírio de Pe. Ezequiel Ramin, a presença dos irmãos Antônio e Fabiano Ramin em Rondônia emocionou comunidades marcadas por histórias de luta pela terra, fé e esperança. As visitas a assentamentos, capelas e celebrações se transformaram em reencontros com a memória viva de Ezequiel, cuja semente germinada ao longo das décadas floresceu em formas concretas de resistência, espiritualidade e organização popular.
No último sábado (19), os irmãos chegaram ao estado e seguiram agendas distintas. Antônio Ramin foi para Rondolândia (MT), onde conheceu a comunidade local e participou de uma celebração. Também visitou a capela no bosque e dialogou com moradores antigos, muitos deles presentes desde o tempo em que Pe. Ezequiel caminhava por aquelas terras marcadas por conflitos agrários.
Durante a visita, Antônio também esteve com Dona Geni, doadora do terreno onde está erguida a capela, e se encontrou com o pároco Pe. Divino. Ele foi acompanhado por Marcos, do Instituto Padre Ezequiel Ramin (IPER), e por Rose, da Comunidade Pe. Ezequiel Ramin, Rondolândia (MT). Já na segunda-feira, visitou o Pe. Toninho Ramos — primeiro vigário ordenado da Diocese — que, à época do martírio, era vigário-geral de Dom Antônio Possamai. Foi com ele que Pe. Ezequiel teve seus últimos diálogos antes de ser assassinado.
No domingo, Antônio retornou a Ji-Paraná (RO), onde participou da celebração na Paróquia São José e visitou o túmulo de Dom Antônio Possamai, figura central na defesa dos direitos humanos na região.
Enquanto isso, Fabiano Ramin esteve em Mirante da Serra (RO), onde ficou hospedado na casa de Onofre Américo e, no domingo, participou da celebração do padroeiro da comunidade. Na segunda-feira, juntou-se ao Pe. Pedro e a Américo para uma visita à capela e ao bosque em Rondolândia. Fabiano já esteve no Brasil em outras ocasiões, sendo a última visita registrada em 2005.
Além da presença dos irmãos, uma comissão com cerca de 30 pessoas está prevista para vir ao Brasil e participar da Romaria. Toda essa movimentação faz parte de um processo de preparação que vai muito além do evento em si: trata-se de uma peregrinação construída com os pés na estrada e o coração nas comunidades. As visitas aos assentamentos expressam o amadurecimento de um legado semeado por Pe. Ezequiel — um legado que se enraizou no chão da luta camponesa e floresceu na espiritualidade libertadora do povo.
Essas famílias, que historicamente enfrentam a luta pela terra, hoje celebram a vida que resiste. A Romaria deste ano reafirma, assim, sua importância como marco da memória profética e compromisso com a justiça social, honrando o sangue derramado de Ezequiel que segue gerando frutos de dignidade e esperança.